Todos os seres humanos conscientes anseiam desesperadamente por uma felicidade plena, um real estado de graça que lhes preencha a vida de significado. É essa ânsia que nos move e nos faz sonhar. Invariavelmente, somos controlados por ela e, contudo, não resistimos, nem queremos resistir, já que seria completamente insensato fazer frente às mais profundas expectativas humanas, algo que nos corre no sangue e alimenta todas as nossas acções, incluindo aquelas às quais reservamos a nossa vergonha.
A luta incansável em busca da felicidade comanda o Homem, variadíssimas vezes, por caminhos obscuros e vergonhosos, onde as redes da corrupção, da exploração, da irreverência e da luxuria se encontram lançadas à espera daqueles que neles ingressam, lançando-os na crua realidade do escândalo social e, por vezes, no profundo precipício da morte. Contudo, nem sempre o Homem procura concentrar os seus esforços na prática do mal, mesmo que essa seja definitivamente a sua primeira e mais forte inclinação.
A ânsia de felicidade provocou no ser humano uma tremenda sede de liberdade e disso nos poderíamos orgulhar profundamente. Ao invés, preferimos esquecer os incansáveis esforços levados a cabo pelos inúmeros vultos da nossa história que se dedicaram a reivindicar um direito que hoje em dia tomamos como adquirido mas que só foi possível graças a esses homens e mulheres que chegaram até ao ponto de prescindir da própria vida, para oferecer aos demais o estado que nunca puderam desfrutar e pelo qual pareceram.
A liberdade que possuímos, hoje em dia, não é a mesma que os nossos avós possuíam quando tinham a nossa idade, contudo não tenho qualquer tipo de dúvida em afirmar que eles foram e são mais felizes do que qualquer um de nós. O facto de lutarem por aquilo que consideravam justo e que não lhes era concedido, levou-os a dar valor ao que hoje desprezámos e chegamos mesmo a considerar completamente elementar.
A preocupação da sociedade actual prende-se em determinar o que fazer com a liberdade de que dispõe e não em usufruir verdadeiramente dela. Ser livre é diferente de ser libertino e, embora a diferença pareça desprezável, é completamente fundamental conseguirmos fazer uma correcta distinção.
Ser livre, em primeiro lugar, é saber respeitar o próximo e não apunhalá-lo e espezinhá-lo por qualquer razão aparente ou obscura. A única razão que existe para retirar parte da liberdade a alguém é o facto de esse alguém a ter igualmente retirado a qualquer outra pessoa. Por outro lado, ser livre não contempla, em nenhum local, nem em nenhuma situação, fazer uso dessa liberdade para atingir fins menos correctos e ilegais. A ilegalidade não é miscível com a liberdade e a sua tentativa de junção resulta invariavelmente na libertinagem que nos envolve e nos provoca frequentemente a errar.
Lembremo-nos de todos aqueles que, em pleno século XXI, têm a sua liberdade violada por regimes ditatoriais que absorvem toda e qualquer esperança de esbarrar na felicidade ao virar da esquina. Esta é infelizmente a realidade de milhares de milhões de pessoas que conhecem agora o significado de lutar por um objectivo já ultrapassado no Ocidente tecnológico e desenvolvido em que vivemos. Será que esses povos merecem a nossa ajuda? Não, de todo. A liberdade tem mais significado quando é obtida com suor próprio. Não lhe retiremos o gosto de desfrutar uma vitoriosa glória.
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