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21/02/2011

Luz

                Vejo a luz. Ela aquece a minha alma com o seu tom alegre, nem muito intenso nem demasiado fraco. Sinto-me atraído por ela e essa atracção é demasiado forte para que eu consiga resistir. No entanto, encontro-me preso neste lugar cinzento, preso por correntes de prata, muito mais forte que eu e a minha força de vontade. Meu desejo seria que essa luz me abraçasse após eu voar em direcção a ela, mas neste calvário continuo. Não que este seja um lugar mau, só que vendo onde eu poderia estar, já não me agrada. Esta perspectiva que se apresenta diante de mim é uma tortura. Mas eu aguento, tenho de aguentar… não há alternativa.
                Não obstante, este lugar é mais (muito mais!) agradável que aquele onde me encontrava anteriormente. Esse sim é um total e brutal inferno! A escuridão era a única coisa que se conhecia. Ela embrulhava o meu espírito, tornando-me frio e distante. Nada existia (ou era como se não existisse).
                Quando transpus a fronteira entre a zona negra e a zona cinzenta senti algo inexplicável. Uma sensação de alegria incompleta que ainda hoje me envolve. Alegria apenas “completável” com aquela luz que continua a assombrar-me, a zombar de mim como se gostasse de me ver sofrer. A única coisa a fazer é ignorá-la.
                Seria bom fazer um plano para alcançar a zona branca, só que existe a possibilidade de acontecerem percalços que farão com que volte para a parte negra e, antes que aconteça algo, teria de me prevenir contra a eventual queda.
                Cá estou eu, de novo apagado… Não me contive e caminhei a passos largos para a luz sem que me apercebesse que estava a fazer uma terrível e fatal asneira. Voltar à estaca zero magoa mais do que tudo o que se possa imaginar.
                Agora entendo… embora a parte cinzenta seja infinitamente melhor que a parte negra, a parte branca é, apenas, imperceptivelmente melhor que a neutra. Cheguei à conclusão de que a zona de equilíbrio é o lugar natural do eu desequilibrado. Outras pessoas terão mais sorte a atravessar a derradeira fronteira (e ainda bem para elas!) mas infelizmente não é o meu caso.
                Aqui me despeço, ainda tentando perceber o que me distingue de todos os outros e a tentar “digerir” a desgraça que se abateu.
                Lucidamente,
                               Blackbird

Tema

Chegou a altura de iluminarmos as ideias aos nossos (poucos mas bons) leitores.
E por isso o tema desta vez será

                                          Luz

Aqui vão algumas das definições:
  • O que, iluminando os objectos! os torna visíveis;
  • O que ilumina o espírito, claridade;
  • Evidência.
Espero que gostem do que vos espera, 
                                                          Darkrulers

13/02/2011

Alma

No meu íntimo esconde-se algo profundo e intocável que me anima no original sentido da palavra. Peça integral de qualquer ser que Deus cultivou em cada um de nós e que, à força, um dia será arrancada para, depois de vaguear, encontrar um recanto onde possa, enfim, pernoitar sem carregar consigo a obrigação do tempo, numa existência eterna.

De forma dúbia e cheiro irreconhecível, nem mesmo ao toque a poderemos identificar, mas nela se baseia toda a teologia e a sua importância mundana fá-la carregar consigo todo o bem que obramos e todo mal que ousamos cometer. Ela é, no fundo, o nosso único e verdadeiro currículo de vida, uma caixa negra que, sem cor, nos abre a porta de um fim trágico e prolongado ou de um início paradisíaco muito cobiçado.

A verdade é que se torna difícil compreender que um ser constituído por matéria possua, no seu interior mais profundo, algo imaterial que chega até a ser transcendental e que invariavelmente lhe traçará o destino. Mais difícil será imaginar que essa total imaterialidade nos comanda e nos dá vida.

Poder-se-á negá-la ou afirmar que jamais seria racional acreditar na sua existência mas, quem o tentar, esbarrará, invariavelmente, na intransigência de uma crença com génese quase pré-histórica e cuja verdade ou falsidade ser humano algum conseguirá provar. Resta, a quem não acredita, duvidar intimamente, mas cuidado, pois é aí que a alma se encontra.

Darckmoon

10/02/2011

Minha alma


Não te lamentes
não chores
e já mais grites
por mim
eu não mereço
nenhuma das tuas emoções
um anjo
já mais amará um demónio
não há maneira de fazeres a minha alma voltar
quando já para vida não há razões

Segue o teu caminho
e não o meu
tens a oportunidade
que eu já não tenho
não percas tempo com saudade
de alguém
que já mais voltará
aceita
esta minha realidade

Já parti
não há mais opção
não há luz
não há esperança
as trevas
são exactamente aquilo que são
é o fim do meu caminho
tudo o que fiz para o continuar
foi em vão
vou esquecer a vida
e do que dela ainda resta

Este é o fim do meu caminho
até nunca mais...


Darkwhisper