Vejo a luz. Ela aquece a minha alma com o seu tom alegre, nem muito intenso nem demasiado fraco. Sinto-me atraído por ela e essa atracção é demasiado forte para que eu consiga resistir. No entanto, encontro-me preso neste lugar cinzento, preso por correntes de prata, muito mais forte que eu e a minha força de vontade. Meu desejo seria que essa luz me abraçasse após eu voar em direcção a ela, mas neste calvário continuo. Não que este seja um lugar mau, só que vendo onde eu poderia estar, já não me agrada. Esta perspectiva que se apresenta diante de mim é uma tortura. Mas eu aguento, tenho de aguentar… não há alternativa.
Não obstante, este lugar é mais (muito mais!) agradável que aquele onde me encontrava anteriormente. Esse sim é um total e brutal inferno! A escuridão era a única coisa que se conhecia. Ela embrulhava o meu espírito, tornando-me frio e distante. Nada existia (ou era como se não existisse).
Quando transpus a fronteira entre a zona negra e a zona cinzenta senti algo inexplicável. Uma sensação de alegria incompleta que ainda hoje me envolve. Alegria apenas “completável” com aquela luz que continua a assombrar-me, a zombar de mim como se gostasse de me ver sofrer. A única coisa a fazer é ignorá-la.
Seria bom fazer um plano para alcançar a zona branca, só que existe a possibilidade de acontecerem percalços que farão com que volte para a parte negra e, antes que aconteça algo, teria de me prevenir contra a eventual queda.
Cá estou eu, de novo apagado… Não me contive e caminhei a passos largos para a luz sem que me apercebesse que estava a fazer uma terrível e fatal asneira. Voltar à estaca zero magoa mais do que tudo o que se possa imaginar.
Agora entendo… embora a parte cinzenta seja infinitamente melhor que a parte negra, a parte branca é, apenas, imperceptivelmente melhor que a neutra. Cheguei à conclusão de que a zona de equilíbrio é o lugar natural do eu desequilibrado. Outras pessoas terão mais sorte a atravessar a derradeira fronteira (e ainda bem para elas!) mas infelizmente não é o meu caso.
Aqui me despeço, ainda tentando perceber o que me distingue de todos os outros e a tentar “digerir” a desgraça que se abateu.
Lucidamente,
Blackbird
a zona de equilíbrio é o lugar natural do eu desequilibrado.
ResponderEliminarinteressante!
boa semana!
http://artegrotesca.blogspot.com
Obrigado :)
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