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06/01/2011

Inferno

O inferno que imaginamos e o qual nos foi incutido desde a mais tenra infância, altura em que acenávamos afirmativamente a tudo quanto nos era dito, revela-se sobre uma forma espectacular e medonha, de tal modo que não haverá alguém no mundo capaz de desejar tal destino.

A verdade é que se torna imensamente difícil imaginar um cenário com tal complexidade e brutalidade. Acredito mesmo que tudo não passa de uma forma de nos impingir o caminho do que a religião compreende como “o bem”. Se não o seguirmos, seremos invariavelmente condenados ao destino fatal que nos pintam na mente sem que lhes tenhamos concedido autorização para tal.

Mas, como poderemos nós imaginar um inferno sem darmos conta que estamos num outro, não tão fantástico, nem horripilante, mas que não deixa de nos fazer sofrer. Por cá não vemos Satanás a desfilar com o seu assustador tridente, mas, salvo o caso de não estarmos na posse de todas as faculdades visuais, poderemos ver claramente como desfilam políticos, empresários e criminosos, com os seus ares emproados, os seus orgulhos flamejantes e as suas culpas retraídas, poluindo o ar que respiram, o chão que pisam e tudo o quanto tocam.

Não poderá haver maior inferno do que partilhar com tamanha senhoria tal poluição que, em contexto divino, lhe chamam chamas infernais. Não me parece de todo que ser extorquido, corrompido e ferido no orgulho seja significativamente melhor do que arder eternamente.

De que vale viver dezenas anos na maior das desgraças, temendo desgraça igual? Desgraça por desgraça, mais vale ser desgraçado eternamente, pois não se acalentarão esperanças de um futuro melhor. A verdade é que destino tão fatal não está, certamente, nos horizontes menos inspirados de qualquer que seja o Homem. Pena que não tenham a consciência de que, a continuar neste inferno, não haverá grande mudança de ares.

Cumprimentos,
Darkmoon

1 comentário:

  1. Gostei da definição que deste do inferno.
    Mais, a parte em que falas do mundo real como um mundo corrompido, tirando a parte política, acho que a maioria das pessoas se identificam com o inferno em que vivemos.
    E, vendo bem as coisas, quanto mais cedo acabar este sofrimento a que chamamos vida, mais probabilidades temos de não acabar nesse suplício!

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